O tema da redação do Enem desse ano foi Aquecimento Global, e como acontece todo ano, não faltaram preciosidades.
Lá vão:
1) "O problema da amazônia tem uma percussão mundial. Várias Ongs já se estalaram na floresta."
(percussão e estalos. Vai ficar animado o negócio)
2) “A amazônia é explorada de forma piedosa.”
(boa)
3) “Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar o planeta.”
(tamo junto nessa, companheiro. Mais juntos, impossível)
4) “A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu.”
(e na velocidade 5!)
5) “Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta.”
(pra deixar bem claro o tamanho da destruição)
6) “O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação.”
(pleonasmo é a lei)
7) “Espero que o desmatamento seja instinto.”
(selvagem)
8) “A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo.”
(o verdadeiro milagre da vida)
9) “A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta.”
(também fiquei emocionado com essa)
10) “Tem empresas que contribui para a realização de árvores renováveis.”
(todo mundo na vida tem que ter um filho, escrever um livro, e realizar uma árvore renovável)
11) “Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das queimadas.”
(esqueceu que também ficam sem o home theater e os dvd’s da coleção do Chaves)
12) “Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna.”
(amém)
13) “Os desmatadores cortam árvores naturais da natureza.”
(e as renováveis?)
14) “A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica.”
(deve ser culpa da morte ecológica)
15) “A amazônia tem valor ambiental ilastimável.”
(ignorem, por favor)
16) “Explorar sem atingir árvores sedentárias.”
(peguem só as que estiverem fazendo caminhadas e flexões)
17) “Os estrangeiros já demonstraram diversas fezes enteresse pela amazônia.”
(o quê?)
18) “Paremos e reflitemos.”
(beleza)
19) “A floresta amazônica não pode ser destruída por pessoas não autorizadas.”
(onde está o Guarda Belo nessas horas?)
20) “Retirada claudestina de árvores.”
(caraulio)
21) “Temos que criar leis legais contra isso.”
(bacana)
22) “A camada de ozonel.”
(Chris O’Zonnell?)
23) “a amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso de humor.”
(a solução é colocar lá o pessoal da Zorra Total pra cortar árvores)
24) “A cada hora, muitas árvores são derrubadas por mãos poluídas, sem coração.”
(para fabricar o papel que ele fica escrevendo asneiras)
25) “A amazônia está sofrendo um grande, enorme e profundíssimo desmatamento devastador, intenso e imperdoável.”
(campeão da categoria “maior enchedor de lingüiça”)
26) “Vamos gritar não à devastação e sim à reflorestação.”
(NÃO!)
27) “Uma vez que se paga uma punição xis, se ganha depois vários xises.”
(gênio da matemática)
28) “A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos governantes.”
(red bull neles - dizem as árvores)
29) “O povo amazônico está sendo usado como bote expiatório.”
(ótima)
30) “O aumento da temperatura na terra está cada vez mais aumentando.”
(subindo!)
31) “Na floresta amazônica tem muitos animais: passarinhos, leões, ursos, etc.”
(deve ser a globalização)
32)“Convivemos com a merchendagem e a politicagem.”
(gzus)
33) “Na cama dos deputados foram votadas muitas leis.”
(imaginem as que foram votadas no banheiro deles)
34) “Os dismatamentos é a fonte de inlegalidade e distruição da froresta amazonia.”
(oh god)
35) “O que vamos deixar para nossos antecedentes?”
(dicionários)
Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer.
Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio me perguntou: Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
Estou ouvindo um barulho de carroça.
Isso mesmo, disse meu pai, é uma carroça vazia.
Perguntei ao meu pai:
Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?
Ora, respondeu meu pai. É muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz.
Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando para intimidar, tratando o próximo com grossura, de forma inoportuna, prepotente, interrompendo a conversa de todo mundo e, querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo: 'Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz... '
Toda pessoa não suficientemente realizada em si mesma tem a instintiva tendência de falar mal dos outros.
- Qual a razão última dessa mania de maledicência?
É um complexo de inferioridade unido a um desejo de superioridade.
Diminuir o valor dos outros dá-nos a grata ilusão de aumentar o nosso valor próprio.
A imensa maioria das pessoas não está em condições de medir o seu valor por si mesma. Necessita medir o seu próprio valor pelo desvalor dos outros.
Essas pessoas julgam necessário apagar as luzes alheias a fim de fazerem brilhar mais intensamente a sua própria luz.
São como vaga-lumes que não podem luzir senão por entre as trevas da noite, porque a luz das suas lanternas fosfóreas é muito fraca.
Quem tem bastante luz própria não necessita apagar ou diminuir as luzes dos outros para poder brilhar.
Quem tem valor real em si mesmo não necessita medir o seu valor pelo desvalor dos outros.
Quem tem vigorosa saúde espiritual não necessita chamar de doentes os outros para gozar a consciência da saúde própria.
As nossas reuniões sociais, os nossos bate-papos são, em geral, academias de maledicência.
Falar mal das misérias alheias é um prazer tão sutil e sedutor - algo parecido com whisky, gin ou cocaína - que uma pessoa de saúde moral precária facilmente sucumbe a essa epidemia.
A palavra é instrumento valioso para o intercâmbio entre os homens. Ela, porém, nem sempre tem sido utilizada devidamente.
Poucos são os homens que se valem desse precioso recurso para construir esperanças, balsamizar dores e traçar rotas seguras.
Fala-se muito por falar, para "matar tempo". A palavra, não poucas vezes, converte-se em estilete da impiedade, em lâmina da maledicência e em bisturi da revolta.
Semelhantes a gotas de luz, as boas palavras dirigem conflitos e resolvem dificuldades.
Falando, espíritos missionários reformularam os alicerces do pensamento humano.
Falando, Líderes hipnotizam multidões, enceguecidas, que se atiram sobre outras nações,transformando-as em ruínas.
Guerras e planos de paz sofrem a poderosa influência da palavra.
Há quem pronuncie palavras doces, com lábios encharcados pelo fel.
Há aqueles que falam meigamente, cheios de ira e ódio.
São enfermos em demorado processo de reajuste.
Portanto, cabe às pessoas lúcidas e de bom senso, não dar ensejo para que o veneno da maledicência se alastre, infelicitando e destruindo vidas.
Pense nisso!
Desculpemos a fragilidade alheia, lembrando-nos das nossas próprias fraquezas.
Evitemos a censura.
A maledicência começa na palavra do reproche inoportuno.
Se desejamos educar, reparar erros, não os abordemos estando o responsável ausente.
Toda a palavra torpe, como qualquer censura contumaz, faz-se hábito negativo que culmina por envilecer o caráter de quem com isso se compraz.
Enriqueçamos o coração de amor e banhemos a mente com as luzes da misericórdia divina.
Porque, de acordo com o Evangelho de Lucas, "a boca fala do que está cheio o coração".
(Texto extraído do livro "A Essência da Amizade", Huberto Rohden)
Antes da revolução dos costumes
desencadeada nos anos 60, as moças se casavam virgens, motel só aparecia em
filme americano, drive-in era coisa da capital. Mas havia a zona do meretrício.
Todo município com mais de 10 mil habitantes tinha pelo menos um bordel,
camuflado em casas com uma luz vermelha na varanda, construídas no difuso
território onde a cidade já acabou sem que tenha começado a zona rural. E havia
na parede da sala o retrato de São Jorge.
Bonito, aquilo. Os trajes de
guerreiro, o corcel colérico, a lança em riste, o dragão subjugado, as imagens
beligerantes eram completadas pela expressão beatífica. Todo santo de retrato é
sereno, mas nenhum se mete com monstros que soltam fogo pelas ventas. Só um São
Jorge de bordel poderia arrostar tamanho perigo com aquela placidez no rosto que
sublinhava o espetáculo da coragem.
Concentrado no duelo tremendo, o
exterminador de dragões não prestava a menor atenção no que acontecia fora do
retrato. Na sala, prostitutas e clientes negociavam o acerto que os levaria a
algum dos quartos escurecidos pela meia-luz que eternizava o crepúsculo. Deles
não paravam de chegar sons muito suspeitos, mas o santo guerreiro nada ouvia.
Estava na parede para proteger a zona do meretrício, não para vigiá-la. Quem
luta com dragões não perde tempo com batalhas de alcova.
São Jorge de bordel
era chamado naquele tempo todo homem que mantinha a cara de paisagem enquanto
desfilavam a um palmo do nariz iniqüidades, bandalheiras e delinqüências. O
filho abandonara os estudos, a filha se apaixonara pelo cafajeste do bairro, a
mulher vivia arrastando vizinhos para o quarto do casal, o sobrinho furtara as
economias da avó — e a tudo seguia indiferente o chefe de família. Como um São
Jorge de bordel.
Como um São Jorge de bordel continua agindo o presidente
Lula, informou neste começo de maio a discurseira sobre a farra das passagens
aéreas. A tunga escandalosa do dinheiro público teria feito até o santo do
retrato esquecer o dragão para botar ordem na zona. Pois o padroeiro dos
pecadores federais não viu nada de errado. “Isso é mais velho que a descoberta
do Brasil”, desdenhou ao quebrar o silêncio obsequioso que vinha observando
desde o primeiro estrondo no Congresso.
Para Lula, a imprensa dá “um
tratamento desproporcional” a ocorrências irrelevantes. “Guardar passagens para
viajar à França é delicadíssimo, mas o cara levar a mulher para Brasília, dar
passagem para sindicalista ir a Brasília, não vejo onde está o tamanho do
crime”, espancou o idioma e a ética o São Jorge do Planalto. O que não pode é
viajar para o Exterior. Em território nacional, vale tudo. Que continuem
viajando por conta da Câmara e do Senado parentes, vizinhos, jogadores de
futebol, namoradas ou transeuntes com título de eleitor.
“Eu, quando era
deputado, muitas vezes convoquei dirigentes da CUT, dirigentes de outras
centrais para se reunirem com passagens do meu gabinete”, confessou. Para
combater essa má vontade dos jornalistas com os pais da pátria companheiros,
Lula anda prometendo criar o Dia da Hipocrisia.
A data do novo feriado
deveria cair no dia e no mês de 1993 em que Lula, ao explicar por que não
tentara reeleger-se deputado, deixou claro que não via maiores diferenças entre
o Congresso e uma casa de tolerância. “Há uma maioria de 300 picaretas que
defendem seus próprios interesses”, discursou. Pelo menos 301, corrige o
falatório irresponsável.
Que outros santos nos protejam.
Veja também
Luiz Carlos Prates, comentarista do Jornal do Almoço da RBS TV/SC debulhando,
colericamente sobre o mesmo assunto:
Caso
não consiga visualizar, clique no link abaixo